quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Repartir o poder para mudar a sociedade: plebiscito já!

Por Camila Paula
No dia 15 de novembro, a batucada feminista adentrou o auditório central da Universidade Católica de Brasília no lançamento oficial do plebiscito popular por uma constituinte exclusiva e soberana para a reforma do sistema político do país.
Em junho deste ano, como resposta às manifestações nas ruas, Dilma Rousseff propôs a convocação de uma constituinte para debater a reforma política, coisa que a direita rebateu sem medir esforços e, no momento, a esquerda fragmentada não teve força para replicar à presidenta. Porém, junto aos mais de 100 movimentos sociais que estão encampando o plebiscito, a Marcha Mundial das Mulheres acredita que é preciso democratizar a participação da sociedade, em especial das mulheres, na política.
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Mais do que coletar votos para a pergunta: “Você é a favor de uma constituinte exclusiva e soberana sobre o sistema político?” entre os dias 1 a 7 de setembro de 2014, o desafio é de fazer da preparação do plebiscito uma ação pedagógica, trabalho de base, em que se possa pautar e debater temas fundamentais para a construção do país que queremos.
Após o lançamento, foi realizada uma plenária de mulheres para discutir a reforma política com olhar feminista a fim de construir um Brasil para todos e para todas. Para isso, queremos desde agora, na construção de nossas práticas cotidianas desse processo já começar a experimentar o que nós propomos nesta reforma política como, por exemplo, a paridade já no curso de formação para formadores do plebiscito com participação de 50% de homens e 50% de mulheres.
Estamos espalhadas em todos os estados, organizadas nos espaços de discussão e construção do plebiscito porque não se faz reforma política sem um projeto feminista popular. Vamos pra luta, mulherada!

Mas o que vem a ser esse plebiscito e uma constituinte exclusiva e soberana?
O plebiscito é a convocação dos cidadãos e cidadãs que, através do voto, podem aprovar ou rejeitar uma questão importante para o país. O plebiscito popular é uma forma democrática de consulta popular, antes de uma lei ser promulgada.
O avanço neoliberal nos anos noventa uniu vários movimentos de esquerda em plebiscitos na defensiva contra a ALCA, contra a privatização da Vale, por exemplo, e cabe a estes movimentos sociais uma retomada, desta vez, de ofensiva nas conquistas populares propondo uma reforma política que provoque verdadeiras mudanças na nossa sociedade.
A Constituição brasileira vigente no Brasil é de 1988 e ainda preserva muitas instituições criadas ou aprofundadas pelo regime militar – a polícia militarizada, a manutenção da estrutura fundiária, o pagamento da dívida pública – e está muito aquém das necessidades do povo brasileiro.
Uma constituinte exclusiva e soberana é a realização de uma assembleia de representantes eleitos exclusivamente para a Constituinte pelo povo para modificar a economia e a política do país – na questão da pouca representatividade popular – e (re)definir o funcionamento do Estado na saúde, educação, mobilidade urbana, reforma agrária e urbana, democratização dos meios de comunicação, reestatização das empresas privatizadas.
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Como estamos e o que queremos?
Nosso sistema político serve para atender aos interesses das elites políticas, econômicas, sociais e culturais. Queremos o interesse público acima do privado. Para isto, a reforma não pode se restringir às mudanças eleitorais, mas, garantir leis e mecanismos de maior participação popular nas decisões políticas. Assim, devemos trabalhar por um aperfeiçoamento do sistema eleitoral e fortalecimento da democracia direta e participativa com controle social.
De acordo com dados do DIAP (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar), dos 549 parlamentares (513 deputados e 81 senadores), 273 são empresários, 160 compõem a bancada ruralista, 66 são da bancada evangélica e apenas 91 são da bancada sindical e representação de trabalhadores e trabalhadoras que mesmo sendo a maioria da população, não é maioria no parlamento.
A imposição do poder econômico, oportunismo eleitoral e a sub-representação de gênero e de raça impedem diretamente maior representatividade democrática e mudanças estruturais. Então, o financiamento público de campanha, o sistema de votação, mecanismos para aumentar a transparência da aplicação dos recursos públicos e o fortalecimento da democracia direta através de plebiscitos, referendos e projetos de iniciativa popular para que o poder seja para o povo em oposição ao Estado mínimo neoliberal são propostas para a nova constituinte.
O sistema eleitoral do Brasil é o de representação proporcional baseado em listas de partidos. Estas listas podem ser abertas ou fechadas. A lista aberta é o sistema utilizado no Brasil nas eleições proporcionais (deputados e vereadores).  Nesse sistema, o eleitor tem a possibilidade de votar em seu candidato preferido ou na legenda do partido. Essa votação nominal e não em um programa partidário faz com que a disputa seja em torno de projetos individuais e não coletivos.
O financiamento privado de campanha beneficia somente aqueles que são ou compactuam com a elite que patrocina homens, héteros, brancos, empresários e latifundiários que não representam e não resguardam os interesses do povo. A proposta do financiamento público serve para enfrentar o poder do dinheiro e do patriarcado racista e homofóbico.
Hoje, mais da metade da população brasileira é de mulheres que ocupam apenas 9% dos mandatos na câmara dos deputados e 12% no senado. Da mesma forma, 51% da população brasileira se declara negra e menos da metade das unidades federativas tem representantes negros na câmara. Sem falar que a população indígena não possui nenhuma representação no Congresso Nacional.
Por isto, vemos no processo do plebiscito uma boa oportunidade para radicalizar a democracia e participação popular que não é possível sem colocar a questão da paridade de gênero e de debater nossas pautas com relação à divisão sexual do trabalho, saúde e autonomia da mulher dentro da própria esquerda e na sociedade, de um modo geral. São muitos os desafios, mas não vamos abrir mão de um projeto feminista, classista, anti-homofóbico e anti-racista.
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terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Reunião da Marcha Mundial das Mulheres no Espirito Santo

*Por Luciana Girelli
As mulheres capixabas contam agora com mais uma organização feminista para se somar no combate à violência contra a mulher. O Espírito Santo, estado com a maior taxa de mortes de mulheres em razão da violência doméstica no Brasil, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), iniciou a construção da Marcha Mundial de Mulheres desde o dia 21 de outubro.
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Reunião da MMM no Espírito Santo
São mulheres sindicalistas, servidoras públicas, professoras, estudantes e jovens que integram o primeiro núcleo da MMM no Espírito Santo. “Há algum tempo nos reuníamos em coletivos de mulheres de nossas organizações. Porém, percebemos a necessidade de nos fortalecermos no movimento feminista auto-organizado. Sob o slogan ‘Não mexe comigo que eu não ando só’, decidimos construir a Marcha Mundial de Mulheres no Estado”, afirmou a professora e integrante da MMM – ES, Úrsula Rola.
De acordo com a Diretora do Sindicato dos Trabalhadores e Servidores Públicos do Espírito Santo (Sindipúblicos), Lucia Helena Costa, a participação no 9º Encontro Internacional da Marcha foi fundamental para a consolidação do movimento no Estado. “Participamos da atividade em São Paulo e descobrimos o quanto as mulheres possuem desafios comuns. Sentimos que poderíamos fortalecer essa luta e na primeira oportunidade trouxemos uma companheira da Marcha para contribuir conosco no debate”, disse Lucia.
O Sindicato do qual Lucia faz parte realizou um seminário sobre a importância das creches para a autonomia das mulheres, que contou com a participação da companheira Maíra Guedes, da MMM de Salvador. No mesmo dia dessa atividade, ocorreu uma apresentação da Marcha para diversas mulheres e a partir daí iniciaram-se as atividades do movimento.
“Nossa primeira ação, em conjunto com outros movimentos feministas, ocorrerá no dia 25 de novembro. Iremos abordar a violência do Estado contra as mulheres, na medida em que não garante a efetividade de políticas públicas essenciais, como o direito à creche. Também iremos denunciar o fato de o Espírito Santo ser o primeiro Estado do país no ranking de homicídios contra mulheres”, informou Úrsula.
*Luciana Girelli é militante da Marcha Mundial das Mulheres no Espírito Santo.

“Violência contra jovens negros e violência contra a mulher negra

Simone Cruz e Richarlis Martins mostraram a “Violência contra jovens negros e violência contra a mulher negra”. Violência pode ser definida como um comportamento que causa dano a outra pessoa, mas pode ser caracterizada em diversos tipos. O racismo, mesmo com o mito da democracia racial, ainda persiste na hierarquização entre brancos e negros.

A III Conferência das Nações Unidas contra o Racismo, a Discriminação Racial, a Xenofobia e as Intolerâncias Correlatas, realizada em Durban, na África do Sul em 2001 foi marcada por debates polêmicos em torno da discriminação. Nesta Conferência, foram discutidas as origens e causas do racismo, da discriminação racial e xenofobia e foi feito um chamado para ações concretas para erradicar todos esses males. Como resultado, os representantes dos países presentes redigiram uma Declaração e uma Plataforma de Ação, documento no qual foram enfocadas medidas para prevenção, educação e proteção no âmbito nacional e uma série de medidas em nível internacional.   

Apesar disso, os avanços de Durban não têm ajudado na redução da violência contra mulheres negras. Aqui no Brasil houve um crescimento de pessoas declaradas pretas e pardas, mas  população negra ainda sofre com ausência de políticas públicas que dê conta da discriminação  e desigualdades. Um dos avanços no país foi o Estatuto da Igualdade Racial, um conjunto de regras e princípios jurídicos que visam coibir a discriminação racial e estabelecer políticas para diminuir a desigualdade social existente entre os diferentes grupos raciais.

Simone Cruz e Richarles fecharam o debate reforçando a ideia de que a vulnerabilidades das mulheres negras precisa ser enfrentada a todo momento.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

MACHISMO: Pesquisa mostra desinformação e preconceito entre jovens de 18 a 29 anos

Há pouca informação sobre as vertentes do movimento feminista e sobre seus posicionamentos em relação aos conceitos e direitos em disputa. Essa ausência de informação é agravada por movimentos neofeministas e pós-feministas, que muitas vezes defendem uma limitação de direitos em nome das mulheres


Por Cynthia Semíramis - 8/11/2012

É bastante frequente a divulgação na mídia de novos grupos ativistas que supostamente reinventaram a causa. Normalmente se declaram neo ou pós, acrescido do nome do movimento, ou então são nomeados assim por jornalistas para trazer ares de novidade à matéria.
Diferenciar-se do antigo, reinventar nomes e classificações, é uma estratégia de divulgação que pode ser interessante para o grupo se destacar e receber atenção e novas filiações. Afinal, acreditam, é melhor ser visto como alguém que faz algo inovador do que ser mais um na multidão que segue a linha antiga. Porém, esse tipo de rotulação, na maioria das vezes, esconde questões políticas e ideológicas que podem ser mais conservadoras e arbitrárias do que as do movimento do qual tentam se desvincular.
Especialmente em relação ao feminismo isso ocorre com frequência. É bastante comum que novos grupos feministas sejam divulgados como neofeministas ou pós-feministas, mas essa classificação não sobrevive quando se analisam suas práticas e quais direitos defendem. Pode ocorrer de suas ideias já se encaixarem nas vertentes teóricas feministas existentes, havendo apenas uma mudança no método de atuação. Também é possível que suas ideias sejam na verdade um machismo disfarçado, regulando e limitando a vida das mulheres.
Nem todo movimento de mulheres é feminista
A primeira observação a ser feita quando se fala de feminismo é que nem todo movimento de mulheres é feminista. Elas podem se associar para lutar por uma causa em comum que nada tem a ver com mulheres, ou que não interfira nos direitos das mulheres. Mulheres que lutam contra a carestia/inflação (como as fiscais do Sarney na década de 1980) não estão lutando pelos direitos das mulheres. Poderiam questionar por que a responsabilidade por alimentar a família é somente da mulher, mas não o fizeram: sua luta é por uma mudança que interfere em seu cotidiano, sem questionar seu papel na sociedade.
Há também os movimentos antifeministas, que procuram restringir os direitos das mulheres, como é o caso das militantes contra o aborto ou contra a prostituição. Também é o caso dos grupos que defendem que as mulheres têm o direito de votar, mas que não devem se candidatar porque o seu papel na sociedade é ser mãe e rainha do lar – e qualquer atuação política significaria a negação de sua feminilidade. É bastante comum que esses movimentos, normalmente vinculados a setores de direita, se intitulem feministas (porque falam de direitos das mulheres) ou neofeministas (porque pregam um “feminismo” de retorno aos papéis tradicionais). Mas são movimentos antifeministas porque não respeitam a vontade das mulheres, procurando cercear seus direitos e sua liberdade de escolher o que é melhor para suas vidas.

Univercidade Feminista Livre.

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A Universidade Livre Feminista é um espaço de estudo, reflexão, construção de conhecimento, debates e luta por direitos das mulheres. Nosso objetivo é fortalecer o feminismo e a luta por uma sociedade pós-capitalista e pós-patriarcal, somos radicalmente contra o racismo, contra todo tipo de lesbofobia.

No Brasil, 16% dos homens já agrediram a companheira, diz pesquisa

Do UOL, em São Paulo

  • Arte UOL
    Arte violência contra a mulher pesquisa Avon Arte violência contra a mulher pesquisa Avon
Quase um sexto da população masculina brasileira com mais de 16 anos – cerca de 8,8 milhões de pessoas – admitiu já ter agredido sua companheira, atual ou ex, e 12% já foram violentos com sua parceira atual. Os dados são da pesquisa Percepções dos homens sobre a violência doméstica contra a mulher, encomendado pela Secretaria de Políticas para as Mulheres do governo federal, divulgada nesta sexta-feira (29). O levantamento, feito pelo instituto Data Popular ouviu 1.500 pessoas de 50 municípios em todas as regiões do país.
As agressões mais comuns são os xingamentos (53%), seguidos por empurrões (19%), agressões com socos e tapas (12%) e ameaças (9%).

O levantamento mostra que, apesar de 16% admitirem ter sido violentos, 41% conhecem um homem que já agrediu a parceira.
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Homens usam salto alto para combater violência contra a mulher10 fotos

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2.abr.2011 - Homens posam de salto alto durante manifestação em Hampton, Virgínia, EUA Leia mais Walk a Mile in Her Shoes

Agressores apanharam dos pais

De acordo com a pesquisa, 81% dos homens agressores que participaram do levantamento apanharam do pai, da mãe ou de algum outro adulto quando eram crianças, enquanto que quando levados em conta os homens não agressores esse número cai para 68%

Lei Maria da Penha

A Lei Maria da Penha, que cria serviços de atendimento e pra mulheres vítimas de violência doméstica  e tipifica essas agressões como crime, é vista por 36%  dos homens ouvidos na pesquisa como responsável pelo aumento do desrespeito das mulheres com os homens.
A pesquisa foi feita pelo Instituto Avon – empresa do ramo dos cosméticos que tem parceria com a secretaria desde 2008 – e  o Data Popular.
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Homens classificados como de classe alta praticam mais violência contra a mulher .

Homens classificados como de classe alta praticam mais violência contra a mulher que os das classes média e baixa, diz pesquisa do Instituto Data Popular
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Antonio Scorza/AFP
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São Paulo – Mais da metade dos homens brasileiros, 56%, admitem ter tomado em algum momento atitudes que caracterizam violência contra a mulher, mostra uma pesquisa do Instituto Data Popular divulgada hoje. Esse número, porém, é maior para homens da chamada classe alta (59%) que da baixa (53%).
Na classe média, 55% responderam ter praticado alguma forma de violência. O tipo mais comum foi xingamento (veja tabela detalhada abaixo). No total, 52 milhões de brasileiros, mais de um quarto da população, conhece algum homem que agrediu a parceira de alguma forma.
Segundo o Data Popular, que fez a pesquisa em parceria com o Instituto Avon, 86% dos homens acham que a Lei Maria da Penha ajuda a diminuir a violência doméstica, embora 81% afirmem que a mesmalegislação deveria ser usada também para proteger homens agredidos pelas companheiras.
Isso, na visão do estudo, mostra que a maior parte não entende que a lei foi feita para reduzir a desigualdade de gênero.
O mesmo levantamento detecta certos comportamentos de “machão” nos entrevistados do sexo masculino: 30% deles concordam, por exemplo, que homem não deve levar desaforo para casa.
Além disso, 69% disseram ser inaceitável que uma mulher saia com amigos(as) sem o marido, e 85% não acham aceitável que elas fiquem bêbadas.
Veja abaixo os tipos de agressão detectados na pesquisa e sua incidência. Foram entrevistados, em domicílio, 1.500 pessoas, 990 delas homens, em 50 munícipios das 5 regiões do Brasil.
PráticaQuantos homens admitiram comportamento (com atual ou ex)
Xingou59%
Empurrou19%
Ameaçou com palavras9%
Deu um tapa8%
Impediu de sair de casa7%
Arremessou algum objeto durante briga6%
Humilhou em público5%
Deu um soco4%
Obrigou a fazer sexo sem vontade2%
Ameaçou com alguma arma1%